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Ídolos que você não conhece: Kenny Dalglish

Passamos grande parte do tempo olhando para trás nesses dias em que o futebol está parado quase no mundo todo. Até as grandes emissoras estão reprisando jogos clássicos e fazendo a gente morrer de saudades de ídolos como Ronaldo, Adriano, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros.

Pensando nisso, resolvemos fazer hoje um especial sobre um daqueles ídolos que não é lembrado tão facilmente pela mídia e pode ser que muita gente nem conheça. Vamos falar sobre Kenny Dalglish, um dos maiores nomes da história do Liverpool.

Carreira como jogador

Sir Kenneth Mathieson Dalglish nasceu na cidade de Glasgow, na Escócia, em 1951, e foi descoberto pelo Cumbernauld United, time hoje em situação semiprofissional. Foi no gigante Celtic, porém, que Kenny Dalglish começou a construir um nome para si mesmo, até se consagrar como um dos deuses sagrados do Liverpool.

Celtic

Nem todo mundo sabe, mas Kenny Dalglish também é ídolo no Celtic, clube que o descobriu

Tendo iniciado a carreira profissional no longínquo 1967, com apenas 16 anos, Dalglish não demorou nada para se mostrar um dos atacantes mais prolíficos e matadores do Reino Unido, tendo sido chamado de o maior atacante da história do pós-guerra e eleito o maior jogador da história do Liverpool pelos torcedores do time.

Jogando pelo Celtic, Kenny Dalglish demorou algumas temporadas para alcançar sua melhor forma, que veio pra valer em 1971-72, e dali em diante ninguém mais parou o atleta, que acumulou um total de 167 gols nas suas 322 partidas com a camisa verde e branca. Os troféus também são de respeito: cinco do Campeonato Escocês e outros cinco da Copa da Escócia, entre outros menores.

Como todo carnaval chega a seu fim, a passagem de Sir Kenny pelo time do país natal também chegou. Vendido ao Liverpool por valores recordes para a época, Dalglish iria alcançar um novo nível entre os astros da eternidade.

Liverpool

A torcida do Celtic não ficou muito feliz de saber que seu capitão e principal jogador iria trocar o Celtic Park pelo Anfield, e Kenny Dalglish recebeu algumas vaias em campo. Isso pouco importou perante os olhos da história, porém, porque os feitos atingidos pelo atacante escocês com a camisa do Liverpool foram sem precedentes na sua carreira.

A partir da temporada 1977-78, Dalglish iniciaria uma carreira absolutamente brilhante pelos Reds, começando com gol na final da Taça Europeia (antiga Champions) contra o Brugge, em 1978.

Com a entrada dos anos 80, o atacante passou a ser parte indissociável daquele Liverpool que ganhava tudo e mais um pouco, tendo se tornado até meio sem graça assistir o Campeonato Inglês da época (menos para a torcida Red), já que só um time ganhava. Para dar noção, Dalglish ganhou seis troféus da Primeira Divisão com o Liverpool entre 1978 e 1986, fora um tricampeonato europeu (Taça Europeia) e quatro FA Cups “de brinde”.

Tragédia de Heysel

Quando ainda era jogador, mas já no fim da sua carreira, Kenny Dalglish entrou em campo com o Liverpool para disputar a final da Taça Europeia de 1985 contra a Juventus, jogando na Bélgica. Não é o foco da nossa matéria, mas aquela partida ficou conhecida como Tragédia de Heysel (nome do estádio).

Como era relativamente comum naquela época, tratava-se de um estádio pessimamente conservado e que recebia muito mais gente do que o bom senso recomendava – Padrão FIFA era um termo inexistente até então. Esse foi o cenário ideal para a receita do desastre dar liga, muito por conta do hooliganismo fora de controle então.

Para resumir a triste ópera, antes de o jogo começar, hoolingans do Liverpool atacaram torcedores da Juventus, que correram dos agressores e, ao fazer isso, acabaram esmagando outros espetadores que estavam contra um muro. O saldo ficou em 39 mortos (quase todos italianos) e 600 feridos, além de o Liverpool e todos os times ingleses serem banidos de competições europeias por 5 anos.

Como isso se relaciona com nossa história? Bom, como dissemos, Kenny Dalglish estava em campo naquele dia (aliás, o jogo aconteceu e a Juventus ganhou por 1×0). A tragédia fez com que o até então técnico do Liverpool, Joe Fagan, pedisse as contas. A solução dos Reds, então, foi promover Sir Kenny a técnico-jogador, papel que ele desempenhou de maneira acima da média.

Dalglish, o técnico

Até o surgimento do fantástico Leicester de 2015-16, o Blackburn de Kenny Dalglish detinha a honra de ser o maior e melhor azarão da história da Premier League

Quando ainda desempenhava ambas as funções de jogador e treinador, Kenny Dalglish dava mostras de talento para os dois trabalhos. Tanto foi que, nessa situação, ainda faturou três vezes o Campeonato Inglês e outras duas FA Cup.

Antes de pendurar as chuteiras e pôr o terno de vez, Dalglish viveu a segunda grande tragédia da sua carreira de jogador, o famoso Desastre de Hillsborough, no qual 96 torcedores morreram, e que serviu de estopim para mudanças radicais no regulamento do futebol na Inglaterra e pavimentou o caminho para a Premier League moderna ser criada, em 1992.

Como treinador, vale citar passagens brilhantes pelo Liverpool, pra começo de conversa, e mais de uma vez. O técnico ganhou a Copa da Liga Inglesa e ajudou o time a se manter relevante mesmo em épocas muito complicadas. Nenhum troféu realmente relevante veio, e é por isso que Dalglish é lembrado com mais carinho como jogador do que treinador em Anfield.

Tendo passado também por Newcastle e brevemente pelo seu velho lar escocês no Celtic, o grande destaque da carreira de técnico do ex-atacante talvez seja, acima de todos os outros, com o Blackburn Rovers.

Quando assumiu o clube, em 1991, os Rovers estavam na segunda divisão, e Dalglish conseguiu o feito heroico de conquistar um espetacular título da Premier League em 1995-96 com o clube – o único de um “intruso” numa era dominada pelos gigantes Arsenal e Manchester United, que levaram 11 dos 12 títulos entre 1993 e 2004.

Sir Kenny Dalglish não treina mais nenhum clube desde o Liverpool, que deixou em 2012 pela última vez. Atualmente o escocês faz parte da direção dos Reds, que rebatizaram um dos setores do Anfield com seu nome. Se isso não é ser ídolo, não sabemos o que é.